quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A situação do Ensino Médio no Brasil e em Minas Gerais:
Uma breve reflexão
        As escolas brasileiras têm passado por várias mudanças durante os anos. É fácil notar os avanços (e também regressos) comparando o cenário atual com os anos escolares há duas décadas, ou até mesmo na década passada. Se pensarmos que no ano de 1990 o ensino médio não era obrigatório e hoje sim, que o ensino era, de fato, elitizado e atualmente é, pelo menos, acessível a grande parcela da sociedade. Para embasar este fato, Simões mostra que as matrículas no ensino médio no Brasil apresentaram expressivo aumento no período de 1991 a 2007: “Em 1991 o total de matrículas era de 3.772.698 e as matrículas de jovens de 15 a 17 anos totalizavam 1.626.570, em 2007 o crescimento no total de matrículas que chegou a 8.360.664 e um expressivo aumento nas matrículas de jovens de 15 a 17 anos que chegou a 6.023.949.”Mas as mudanças não foram apenas na democratização da escola, mas também em processos de gestão escolar, currículo e outras. Em Minas Gerais, Azeredo propõe várias ações que visaram o combate à discrepância entre série e idade, através de programas como “Acertando o passo”, para alunos do ensino fundamental e “A caminho da cidadania” para alunos das séries finais do ensino médio. Uma das propostas segundo a SEE/MG (2003) foi a criação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para alunos com mais de 19 anos, para que pudessem corrigir a distorção que já existia no ensino médio em relação a série e idade. Em relação ao conteúdo curricular foi proposto que no primeiro ano do ensino médio o CBC (Conteúdos Básicos Comuns) deveriam ser ensinados, já no segundo ano do ensino médio o aluno poderia optar por uma das duas grandes áreas (Ciências Humanas ou Ciências Naturais, e dependendo do número de alunos poderia haver uma terceira, Ciências Exatas) e se aprofundarem um pouco mais na mesma de acordo com o CBC. No terceiro ano a escola tinha certa liberdade de ensinar conteúdos que ultrapassavam o CBC.
        A partir da criação e implementação de tantas políticas pedagógicas poderia se inferir que o ensino no país foi gradativamente evoluindo. No entanto, a realidade do ensino médio nas escolas brasileiras revela outra situação. A questão da universalização da educação básica para os cidadãos ainda é uma aspiração que leis, decretos e diretrizes, precisam colocar em prática. Infelizmente, o ensino médio é o nível que menos cresce do ponto de vista qualitativo. Além disso, outra situação precária é a dos professores, onde, uma certa quantidade deles ainda não dispõe de formação em nível superior e quando alguns possuem, não têm curso de licenciatura, enquanto outra parte expressiva não tem formação compatível com a disciplina que leciona.
        Em âmbito nacional, o quadro revela uma educação pública precária que ensina pouco e forma mal. Porém, no âmbito estadual, como em Mina Gerais é um pouco melhor que a média nacional. Segundo avaliações do MEC, o estado experimentou um crescimento da qualidade nos últimos anos colocando-o entre os primeiros do país nesse nível, mas ainda com muitos desafios pela frente, como a questão dos baixos rendimentos acadêmicos atingidos pelos estudantes da rede estadual de ensino médio regular, a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem, o desempenho didático-pedagógico dos professores, o perfil socioeconômico, cultural, social e cognitivo dos estudantes, as condições físicas e técnicas das escolas entre outros. Esses são desafios que precisam ser colocados em pauta, tanto para o diagnóstico da educação quanto para ações políticas e pedagógicas que possam ser geradas mudanças efetivas na qualidade do ensino médio, em âmbito nacional.


Autores: Bruno Henrique, Leonardo e Suzana.

Referência:
Melo, S. D. G.; Duarte, A. Ensino médio no brasil e em minas gerais: políticas e processos. Universidade Federal de Minas Gerais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário